Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente...
Carnes, virgens e tépidas do Oriente
do Sonho e das Estrelas fabulosas,
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente...
Passai, dilaceradas pelos zelos,
através dos profundos pesadelos
que me apunhalam de mortais horrores...
Passai, passai, desfeitas em tormentos,
em lágrimas, em prantos, em lamentos
em ais, em luto, em convulsões, em dores...
Cruz e Sousa
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Dilacerações
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Riqueza
"A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos".
Arthur Schopenhauer
Comentários sobre minha filosofia BDSM
Após o boom
gerado pelo fenômeno 50 Tons, vimos uma invasão imensa e cruel de nosso
ambiente antes tão protegido e isolado, reservado. Podemos contar nos dedos da mão as pessoas realmente sinceras no ambiente online.Tal fato fica muito claro
quando analisamos anúncios em sites de classificados BDSM. As exigências das
subs beiram ao ridículo, demonstrando total desconhecimento do que significa o relacionamento
D/S e todo seu envolvimento mágico. Classificados BDSM não são vitrines para namoro, noivado ou casamento. Mulheres (falsas subs) exigem idade, altura, raça, estado civil de seu desejado "dominador", ou seja, querem um namorido dominador. Pretensos “dominadores”, pior ainda. Não têm o
menor preparo, não têm experiência, querem cobaias. Há que se separar o que é
ser Dominador do que é ser machista agressor. A linha que separa ambos se
traduz em atitudes e conhecimentos, como cultura, preceitos e ética. Comece por
analisar a forma como a pessoa se expressa. Para mim, a cultura se traduz, pela
forma de se expressar na língua pátria. É condição básica pra um possível diálogo. frases truncadas, palavrões, babaquices, fotos íntimas ou pornográficas,
correntes, filosofia de para choque de caminhão, para mim, são fatores
excludentes, inteligência e cultura acima de tudo.. Antes de me procurar com proposta formal, sincera, e decidida,
leia bem tudo o que declaro e publico no blog, no Tumblr, no Fetlife e no Yahoo Grupos, você saberá bem o
que penso, sobre minha filosofia de
vida.
SEUDONOESENHOR
SDS
: Os perigos dos relacionamentos SM iniciados sem as devidas precauções
O que me leva a abordar esse assunto tão importante dentro de nosso universo BDSM, é a constatação pessoal, através de contato com várias candidatas a submissas, vítimas de abordagens agressivas, violentas, mal educadas e esdrúxulas de falsos dominadores, até, pasmem, a proposta de submissas que insistem "veementemente" (como se isso fosse possível a uma sub), que meus processos de aproximação, iniciação, aceitação, instrução, treinamento, adestramento e encoleiramento sejam "encurtados" e, até mesmo, suprimidos, para que a primeira sessão seja, praticamente, imediata. Quero deixar claro que não coaduno, em hipótese nenhuma com esse tipo de proposta ou comportamento, nem por parte de submissas ou candidatas a submissas, nem por parte de dominadores, ou supostos dominadores ou candidatos a dominadores. O que tenho constatado trata-se de absurdos, brincadeiras com a segurança e com vidas de pessoas que, antes de serem submissas, são seres humanos, mortais. Começo tratando do caso de pretensos "dominadores" que abordam as submissas em sites da internet tratando-as como se suas escravas fossem. Isso já acontecia nos velhos tempos das saudosas salas de chat SM do UOL, mas era mais fácil expulsar os fajutos, porque as próprias subs, muitas vezes, vinham ao meu reservado colando mensagens dos fajutos do tipo: “... escrava apresente-se em meu reservado, de joelhos, "é uma ordem"..... Então, ríamos muito.....uma vez a sub me consultou: "Senhor, o que acha, devo perguntar se "ele" colocará cacos de vidro na sala?”Não soa ridículo?. Aqui quero esclarecer dúvidas de vocês, submissas, com base na experiência, em regras básicas e na lógica, e fico à disposição para esclarecimentos. Um dominador de verdade, real, que é adepto e prega o SSC, jamais trata uma sub ou candidata a sub como se sua propriedade fosse. Nunca tenha pressa, amiga submissa. Não aceite figurar como uma presa a ser abatida por um predador, ao qual a natureza não a preparou para se defender nem para escapar. Você não é obrigada a chamar ninguém de senhor, antes de ter a certeza de quem é a pessoa com a qual está falando; você, antes de ser submissa, é uma mulher e é um ser humano, portanto, digna de respeito; alguém só manda em você, depois de você ter cedido, espontaneamente, o poder sobre você, e isso é um processo gradual; a não ser que você tenha permitido, não admita comentários mal educados, ofensivos, agressivos ou que a desagradem, aliás, outro conselho, não publique imagens, fotos suas, muito menos, ser forem íntimas; além do uso livre dessas imagens por pessoas no mundo inteiro, estão possíveis constrangimentos... Todo Dominador deve ter um planejamento, uma esquematização de instruir suas submissas de acordo com um plano, um projeto. Para mim, particularmente, não há dificuldades pois, além da formação, da vivencia no SM, junta-se a experiência de vida, ambas imprescindíveis à relação SM , bem estruturada. Tenho muito mais a dizer, me aguardem para muito breve. Comentários e críticas, serão sempre bem vindos(as).
SEUDOOESENHOR
SDS
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
A descoberta da submissão. Considerações.
Normalmente, quando o sentimento
de submissão aflora, explode, a sub tem um choque, um impacto inicial por se
deparar com algo que muitas vezes até desconfiava, mas não tinha consciência. Então,
após esse choque inicial, vem a ansiedade para encontrar alguém para
compartilhar, dividir, servir, pertencer. Mas não deve haver pressa. A
necessidade de pertencer pode levar a decisões precipitadas e perigosas. É
preciso estabelecer regras, seguir etapas, estágios. Agora que você descobriu
esta coisa maravilhosa em você, é hora de aprender mais sobre si mesma. Leia
muito, pesquise, explore todo o material disponível descobrindo, aos poucos e
com persistência, as coisas que tocam você, que a excitam, procure imagens e
fantasie praticando, leia contos eróticos envolvendo cenas e práticas.
Provoque-se.
Se você não sabe quais são as
suas opções, como pode tomar uma decisão consciente sobre sua vida? Não espere
encontrar alguém para decidir isso por você. Você tem que decidir quem você é,
o que você tem a oferecer e o que você está procurando em um Dom/Mestre, antes
de procurar a pessoa para quem você vai doar-se a si mesma. Há tantos livros e
sites para ler, estudar e obter o conhecimento que você precisa para encontrar o
seu parceiro de forma consciente, inteligente e segura. Aproveite o tempo para
aprender todos os diferentes aspectos de D / s, S / M, e o BDSM no contexto
geral, universal. Você não tem que gostar de dor, mas, se descobrir que gosta
ótimo. O importante é explorar, descobrir o que te atrai, te excita, faz teus
olhos brilharem. Qual é o cardápio? Quais são suas opções? Qual é a diferença
entre a humilhação e degradação? O que é a escarificação? O que é um chicote,
uma gag ball? Há diferenças entre submissa e escrava? Se há, quais são? Qual
seu grau de submissão: deseja realmente pertencer a alguém, se dedicar,
aprender e obedecer ou apenas ser sub de sessão, obtendo diversão momentânea e
por algumas horas, sem nenhum compromisso? É importante que você defina seus
reais desejos para que possa direcionar a procura de forma direta e correta.
Bem vinda ao nosso maravilhoso e prazeroso universo. Boa caminhada e desejo que
seja muito feliz.
SeuDonoeSenhor
SDS
Retorno
Após um período de afastamento para fazer uma pós-graduação, retorno, com prazer, à ativa naquilo que mais me apaixona na vida: o BDSM. Espero a partir de hoje, dedicar o tempo que antes dedicava ao que pauta minha vida, meus dias, minha existência. Uma saudação especial a todos, Doms e subs que me acompanham e são acompanhados através de todos esses anos. Contem comigo. Abraços.
SeuDonoeSenhor
SDS
sexta-feira, 3 de maio de 2013
As Restrições dos Guardiões Morais
Parece-me a mim que o pressuposto em que se baseiam as ações
restritivas dos nossos guardiões morais é simplesmente o de que o acesso à
literatura proibida nos pode levar a comportar-se como animais. Mas pensar
assim é insultar o reino animal. E, ao mesmo tempo, transformar paixão, o maior
atributo do homem, numa caricatura. A gama da paixão humana é quase ilimitada,
atingindo alturas e profundidades impensáveis. Precisamente por abarcar tais
extremos é a paixão a autêntica pedra de toque da nossa humanidade, e talvez
também da nossa divindade. De todas as criaturas da terra, o homem é a única de
comportamento imprevisível. Há em nós alguma coisa de toda a criação. Quando
nos é negada a menor parcela de liberdade, ficamos espiritualmente limitados e
mutilados. É a plena consciência da nossa natureza múltipla e a integração da
miríade de elementos de que somos compostos que nos faz completos, que nos faz humanos.
A religião faz de nós santos, ou apenas bons cidadãos, mas o que faz de nós
homens, o que nos faz humanos até ao âmago, é a liberdade. É uma palavra
terrível, a liberdade, para aqueles que viveram toda a vida mentalmente
algemados.
Henry Miller, in A Obscenidade na Literatura.
Henry Miller, in A Obscenidade na Literatura.
A Racionalização das Emoções
O ponto de vista feminino tem sido muito mais difícil de expressar que o
masculino. Se assim me posso exprimir, o ponto de vista feminino não passa pela
racionalização por que o intelecto do homem faz passar os seus sentimentos. A
mulher pensa emocionalmente; a sua visão baseia-se na intuição. Por exemplo,
ela pode ter um sentimento em relação a qualquer coisa que nem sequer é capaz
de articular. A princípio, achei extremamente difícil descrever como me sentia. Porém, se
fazemos psicanálise, a questão é sempre: «Como é que se sentiu em
relação a isso?» e não «O que é que pensou?» E como muito frequentemente
a mulher não deu o segundo passo, que é explicar a sua intuição - por que
passos lá chegou, o a-b-c daquilo - ela não consegue ser tão articulada.
Ora eu tentei fazer
isso (quer tenha conseguido quer não), e, porque estava a escrever um diário
que pensava que ninguém leria, consegui anotar o que sentia acerca das pessoas
ou o que sentia acerca do que via sem o segundo processo. O segundo processo
veio através da psicanálise, que era igualmente um método de comunicar com o
homem em termos de uma racionalização das nossas emoções de modo que pareçam
fazer sentido ao intelecto masculino. Por isso existe uma diferença, penso eu,
que é muito profunda, mas que está a começar a desaparecer. Com efeito, penso
que, quando a geração mais jovem passa por qualquer experiência psicanalítica,
descobre que os sonhos dos homens e das mulheres são os mesmos, o inconsciente
é universal, e que aí as coisas brotam do sentimento e do instinto e não
passaram pelo processo de racionalização, e, portanto este é um ponto de vista feminino.
Anais Nin in "Fala Uma Mulher”.
Anais Nin in "Fala Uma Mulher”.
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