domingo, 30 de dezembro de 2007

Receita de Ano Novo






Para você ganhar um belíssimo ano novo, cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido – mal vivido talvez ou sem sentido.

Para você ganhar um ano, não apenas pintando de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir a ser novo, até no coração das coisas menos percebidas – a começar pelo seu interior.

Novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha.

Você não precisa beber champanhe ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens – planta recebe mensagem? Passa telegrama? Não precisa fazer lista de boas intenções, para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido, pelas besteiras consumadas, nem parvamente acreditar que, por decreto da esperança, a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo. Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O Poço






Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda

domingo, 23 de dezembro de 2007

Organiza o Natal





Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.


Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

O credo do Dom/Mestre






1. Acima de tudo Ele estima sua escrava, ciente que o presente que ela lhe dá é o maior e mais precioso presente que um ser humano pode oferecer a outro. Ele é exigente e desfruta das vantagens do poder total cedido a Ele, mas sabe compartilhar do prazer que vem desse presente precioso.

2. Em primeiro lugar, Ele mantém o controle sobre si mesmo para que possa controlar outros. Como um Mestre severo e exigente, pode fazer com que sua escrava chore lágrimas reais. Como o amante completo, beijará então as lágrimas, sem perder com isso o caráter dominador.

3. Em épocas de problemas, um Mestre deixará os papéis desempenhados para trás, para ser um amigo e um companheiro de suporte, nunca se esquecendo de que este é ainda um relacionamento entre dois indivíduos que se importam um com o outro. Ele é sábio ao compreender as diferenças entre a fantasia e a realidade. Nunca pediria que uma escrava o colocasse antes de sua carreira e da família, para satisfazer apenas a seu próprio prazer.

4. Para ganhar a mente, o corpo, o espírito, a alma, e o amor de sua escrava, sabe que deve primeiramente ganhar sua confiança. Ele revelará o humor, a bondade e o calor da escrava. Deve sempre mostrar que suas orientações e instruções têm credibilidade e merecem sua atenção, que esse é um homem com quem ela pode aprender, e confiar no que lhe é ensinado.

5. É romântico o bastante para ser protetor e cavalheiro. Quando convidado, lutará pela honra da sua escrava. Prova que é alguém em quem ela pode se apoiar, e depender.

6. Quando chega a hora de ensinar à sua escrava lições de obediência, é um professor forte e inflexível. Não aceitará nenhuma falha, nada mais, nada menos do que a perfeição de sua estudante. Nunca usa a disciplina sem uma boa razão. Quando o faz, é sempre com mão conhecedora e cuidadosa.

7. Está sempre aberto à comunicação e a discussão, sempre pronto para ouvi-la no que quer e necessita. É paciente, dedicando tempo para descobrir os limites da escrava. Nunca tem que exigir comportamento ritual por parte dela.As respostas que ela dá estão além do querer satisfazê-lo. A conformidade vem do querer satisfazer, não do medo de punição. Compreende a natureza frágil da mente e do corpo e nunca viola a confiança depositada nele.

8. É seguro o bastante para rir de si mesmo e dos absurdos da vida. Tem a mente aberta o suficiente para aprender coisas novas. É forte o bastante para crescer. Suas ferramentas são mente, corpo, espírito, alma, e amor. Compreende que cada parceiro ganha mais ao proporcionar prazer ao outro. E ambos sabem que o amor e a confiança são as únicas amarras que prendem verdadeiramente.

O credo da submissa





1. Eu comunicarei com total honestidade as minhas necessidades, desejos, limites, e experiência. Eu entendo que se não fizer isso, impedirei não somente que meu Top e eu tenhamos a melhor experiência possível, mas posso também conduzir a danos físicos e emocionais.

2. Eu não tentarei manipular meu Top.Eu não tentarei fazer com que uma cena seja da maneira que eu acho que deve ser. Ou seja, eu não tentarei “comandar” sendo submissa. Entendo que isso seria tentativa de manipulação.

3. Eu manterei minha mente aberta para fazer coisas com as quais eu não me sinta confortável e também para expandir meus limites. Eu continuarei a crescer como submissa e como ser humano.

4. Eu procurarei descobrir o que agrada meu Top, e me esforçarei sempre para satisfazer suas vontades e desejos.

5. Eu não permitirei ser prejudicada ou abusada. Eu sei que uma submissa não se iguala a um capacho.

6. Eu serei cortês e atenciosa com minhas companheiras submissas. Eu compartilharei humildemente meu conhecimento e experiência com as outras na esperança que aprenderão e se beneficiarão de tudo que aprendi. Eu avaliarei o momento de ajudar às iniciantes a começar na cena do modo mais correto.

7. Eu serei compreensiva com meu Top. Eu não tentarei esconder o que minha mente e corpo estão sentindo de modo que eu possa lhe ajudar em suas responsabilidades como minha Autoridade. Eu sei que Dominadores não são telepatas, e não esperarei meu Top adivinhar os pensamentos e os sentimentos que eu não compartilhar com Ele.

8. Eu aceitarei a minha responsabilidade se uma cena ou o relacionamento tiver problemas. Eu não colocarei a culpa total em meu Top quando o fato não se justificar simplesmente porque Ele é o Dominador. Eu entendo que as coisas ás vezes podem não caminhar como deveriam, e eu farei o melhor de mim para superar os obstáculos.

9. Eu darei o presente de minha submissão somente àquele que puder responsavelmente aceitar e desejar recebê-lo. Eu não colocarei qualquer um na posição de comando sobre mim de forma não consensual, nem darei meu respeito a alguém que não o tenha conquistado.

10. Eu sei que a relação D/s não é uma competição, e nunca me acharei uma submissa "melhor" porque eu escolhi me submeter em um nível diferente do que outra. Eu não me vangloriarei nem serei jactanciosa das experiências que eu tive como sub/escrava.

11. Eu serei obediente ao meu superior mesmo que discorde do que está pedindo. Eu sei que Ele tem meus melhores interesses no coração e sabe melhor do que eu o que necessito em todas as situações.

12. Eu sei que minhas ações refletem direta ou indiretamente sobre meu Top, e farei sempre o melhor para ajudar que os outros o vejam de uma maneira positiva. Eu, intencionalmente, não causarei embaraço nem desagradarei meu Dominador.

13. Acima de tudo, eu portarei meu título de submissa com honra. Eu nunca farei com que outros pensem que ser submissa signifique ser fraca ou sub-humana. Eu terei orgulho em quem e em que eu sou e nunca me mostrarei de maneira negativa.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Spam on orkut I

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Removals policy
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Spam on Orkut

Say no to hoax messages!

Nadine Sequeira

We hate hoax emails! For example: have you received a message that claims Diana, the director of Orkut, has asked you to forward the message to your friends so we don’t shut down your account due to an overload? Or that orkut is going to start charging for accounts unless you appear to be an active user by forwarding the message? Or maybe you have received an email from someone claiming to be Google and asking for money? Do you think it's weird but still send it to all your friends ‘just in case’?


These messages are spam: bulk messages sent from malicious users trying to trick you into doing what they like! And you can rest easy because
we don’t shut down random accounts due to overload, and orkut is a free service and will remain so! And of course we would never send you messages and ask you to forward them. A lot of variations of these sorts of messages have been making their rounds on orkut for a long time now, and we'd like to put an end to it. So, if you ever get a message that seems questionable, instead of sending it to your friends list, report it in the orkut Help group or follow these important steps in the help center. Just say no to spam!

domingo, 25 de novembro de 2007

A coleira de consideração




Encoleiramento é o termo usado geralmente pelos membros da comunidade BDSM para descrever o começo de um relacionamento entre um Dominador e uma submissa. Possui o mesmo tipo de peso que uma aliança de casamento e denota a mesma profundidade de compromisso. Em épocas recentes (desde o advento da Internet) nós vimos a transformação deste ritual em algo ocasional e transiente. Este ataque às tradições que vêm de longa data deve ser ativamente combatido, educando àqueles que se incorporam ao nosso estilo de vida. Primeiramente eu quero indicar claramente que em minha opinião, o verdadeiro encoleiramento deve ser feito somente na vida real, entre pessoas vivas, com cerimônia, ritual e comemoração. Ninguém se torna casado pela internet ou pelo telefone e, da mesma forma, ninguém é encoleirado pela internet ou pelo telefone. A primeira coleira oferecida é chamada ' coleira de consideração '. Esta identificação vem da antiga comunidade do couro (Old Guard Leather community), a mesma responsável pelo código São, Seguro e Consensual. Esta coleira é dada tradicionalmente bem no começo de um potencial relacionamento. Há muitas variações em como uma coleira pode ser representada na realidade. Pode ser por um bracelete ou pulseira, por um cinto de corrente, por uma tornozeleira ou por outro tipo de escolha. Isto é determinado, às vezes, pela situação característica da submissa, tal como as exigências de trabalho etc. É ditado às vezes pelo gosto pessoal do dominador. A representação tradicional ou habitual ' da coleira de consideração ' é uma coleira de couro em algum tom de azul. O tom real da cor não é tão importante quanto a própria cor. O dominador oferecendo esta coleira à submissa, está expressando interesse em um potencial relacionamento com essa submissa além da escala de um conhecimento ocasional ou mesmo do relacionamento entre um Top e um bottom. Este colar é oferecido seriamente e com intenção clara e definida. A aceitação da coleira do dominador pela submissa é igualmente séria em sua compreensão de que seu relacionamento mudou para um estágio diferente. A existência da coleira de consideração indica a outros dominadores e submissas que o Dominador e a submissa estão dando forma a um potencial relacionamento sério. Sua existência representa abertamente aos outros dominadores que esta submissa é “zona proibida” por toda a duração do período de “consideração” e que um dominador honrado não deve perseguir ou tentar contato com esta submissa de maneira nenhuma. Compreende-se que os relacionamentos novos são frágeis e vulneráveis para ambas as partes envolvidas. O respeito nos relacionamentos novos é mostrado aderindo à presença das coleiras e de seus significados subjacentes. ' A coleira de consideração ' não indica um compromisso definitivo entre o Dominador e a submissa, mas pode ser comparado a um anel de compromisso. Se o Dominador ou a submissa decide, depois de um período de tempo, que o relacionamento não é o que desejava, então pode polidamente retirar ou devolver, respectivamente, a coleira sem nenhum constrangimento de um ou outro lado. Se uma submissa for “desencoleirada”, então é considerado importante que a coleira seja removida fisicamente e colocada pessoalmente nas mãos do Dominador. Se várias tentativas de devolver pessoalmente forem feitas em vão, então, e somente então, a submissa reterá a coleira. Em outras palavras, a coleira é propriedade do Dominador. Deve ser comprada, adquirida ou feita pelo Dominador, para o Dominador. Com o término do relacionamento, deve ser retornada ao proprietário legítimo. Os objetos dados como presentes para a submissa devem claramente ser definidos como transformados em propriedade das submissas e não se esperar que sejam devolvidos no final do relacionamento. Não devolver a coleira é considerado extremamente desrespeitoso. Um dominador se aproximar ativamente de uma submissa encoleirada é considerado uma extrema ruptura do protocolo e deve-se notar que tal ação pode ter um sério impacto negativo na reputação da vida real desse dominador. Devem ser dados, pelas tradições de nossa comunidade, a mesma honra, dignidade e respeito. Aqueles que costumam diminuir ou desvalorizar o que é precioso para nós devem estar cientes que tal diminuição o identifica como sendo externo a nossa comunidade ou um parasita dentro dela. Se você for um desses, então talvez você deva retornar a seu mundo pesaroso onde a honra é inexistente, a honestidade impossível de encontrar e a confiança, apenas uma palavra no dicionário.

sábado, 17 de novembro de 2007

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O sentido da submissão




Antes de tudo, quem estiver livre de pecado, que atire a primeira pedra. Este não é um tema fácil, de forma alguma.
Afinal, qual submissa (o) nunca sentiu alguma vez uma sensação de abandono, ou de falta de atenção, ao ver que seu Dono não lhe dispensava tempo suficiente, ou o tempo que ela achava que merecia?Comigo ocorreu a mesma coisa, porém no início,quando eu pensava entender muitas coisas, mas na realidade, hoje reconheço que não entendia absolutamente nada, apenas pensava entender, e via o Dono como meu, e não eu como uma propriedade para uso e deleite DELE.
Às vezes necessitamos parar para rever conceitos que antes achávamos certos, porém, com o passar do tempo, vão se anulando e passamos a perceber e ver as coisas de formas e maneiras diversificadas, afinal mereço sim atenção, mas, preciso verificar antes se estou fazendo por merecer essa atenção, que eu tanto desdenho.Às vezes, precisamos ver as coisas além do nosso ponto de vista particular e passar a pensar como a outra pessoa.E, com isso, passamos a perceber que não somos nós que possuímos o controle, que nós mesmas passamos esse controle para aquele que escolhemos como Dono de nós, aquele a quem nós mesmas lhe entregamos de livre e espontânea vontade os direitos sobre nós, sobre nossas escolhas, nossas vontades, a partir desse momento, passam a ser as vontades daquele que nos possui e isso jamais nos torna robôs, sem vontades, sem vida própria, e sim uma posse, uma propriedade de alguém que sempre vai ver e decidir o melhor para nós mesmas, eles têm o poder da escolha, e nós as acatamos pelo simples fato de que eles decidiram e antes de tomarem tal decisão, já pensaram em tudo, nos prós e nos contras da mesma decisão.Podemos interagir sem jamais contrariar uma ordem frontalmente, expondo o nosso ponto de vista apenas no momento em que nos for permitido, sempre cientes e tendo em mente que a decisão final será daquele que nos possui e cuida de nós.
Acabamos aprendendo isso através de muita meditação, castigos, lágrimas, aprendemos que uma submissa se mede não pela forma que ela aguenta, por exemplo, a dor, porque o masoquismo pode ser moldado, mas sim, pela forma que ela esta disposta a expandir seus limites, ir além dela mesma para dar mais prazer ao Dono, na medida em que ela aprende a deixar o orgulho de lado, é aprender a ser como o Dono deseja e espera que ela seja, uma submissa completa, uma mulher inteligente que,mesmo tendo senso crítico, se submeta com prazer às vontades do Dono.
Além disso, uma submissa que exige demais acaba ganhando nada mais que o silencio do Dono, o desprezo, ou seja, o pior de todos os castigos que ela poderia ter, uma submissa tem que ser flexível, estar sempre disposta a satisfazer as vontades do Dono, estar sempre esperando seu chamado e aguardando ansiosamente por isso, ai sim começa a desabrochar a submissa verdadeira e fiel, dedicada, obediente e que ama ser uma posse, um objeto, uma cadela, uma libertina, porém, apenas de UM.
Uma posse conquistada, amada sim, e muito querida, porém um simples objeto de prazer, dedicação plena e real, além de um simples prazer, porque possuir o corpo qualquer um possui, porém a submissa escondida no fundo da alma, são para poucos e isso se conquista com o dia a dia, com conversas, com desejos,vontade de vir a se entregar a alguém realmente,de pertencer, é algo mais forte que nós mesmas,é a real e verdadeira entrega.
É a entrega da alma, você esta entregando aquilo de mais valioso e intimo que possui, sua submissão, sua admiração, seu respeito, seus desejos, suas vontades e seu medo, porque a confiança é plena e sabe que jamais aquele que te possui viria a te machucar.

by uma submissa (traduzido por mim do espanhol)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Apaixonada

Como posso me sentir
Ridicularizada
Por estar apaixonada?
Tenho mais é que sorrir
Porque o amor é tão lindo
Mesmo quando não correspondido
E não mais temo
Esse amor que tenho
Porque é maravilhoso
Desejar
E ser amado
E delicioso
No simples beijar
Eletrizado, extasiado
Sorrindo e repetindo
Esse amor, paixão, tem nome

E se digo palavrões
E se chego a escrever
Algumas baixarias
É pela intensidade das emoções
E se falo em fuder
É porque doces poesias
Belos poemas declamados
Não podem traduzir
A intensidade dos apaixonados
Palavras formais
Me fode com violência
Tesão, sadismo
E indecência
Te amo demais
Te amo com paixão
É assim meu romantismo
Meu doce, sincero palavrão
Te amo com tesão
Amo, amo e chamo
Venha me fuder
Venha me dizer
Que me ama
De verdade
E que sou sua putana
Com total fidelidade

Fidelidade
É sempre dizer
A verdade
E você já deve saber
Que é minha única paixão
E está tão além do simples tesão

Você é tesão complexo
Mais que sexo
É amor único
Te amo, te amo e te chamo
Venha me fuder
Venha me satisfazer
Venha me completar
Só você pode me penetrar
E só você eu posso amar

Liz Christine

No corpo feminino

No corpo feminino, esse retiro
- a doce bunda - é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
Pois tanto mais a apalpo quanto a miro.

Que tanto mais a quero, se me firo
Em unhas protestantes, a respiro
A brisa dos planetas, no seu giro
Lento, violento... Então, se ponho tiro

A mão em concha - a mão, sábio papiro,
Iluminando o gozo, qual lampiro.
Ou se, dessedentado, já me estiro,

Me penso, me restauro, me confiro,
O sentimento da morte ei que adquiro:
De rola, a bunda torna-se vampiro.

Carlos drummond de Andrade



Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....

Olavo Bilac

Epigrama

Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.

La Fontaine

A submissa perfeita






Tem que ser jovem sem ser imatura,
Ser bonita sem ser fútil,
Ser inteligente sem ser arrogante,
Ser educada sem ser fresca,
Ser carinhosa sem ser melosa,
Sensível sem ser chorona, discreta sem parecer desinteressada, servir sem sufocar, amar sem anular…
Tem que ser sacana, bisexual e inocente..
Tem que ser independente e moderna sem ser auto-suficiente!
Tem que ser estudada, trabalhar, saber falar, se portar e saber agradar…
Tem que estar disposta, disponível, sorridente e feliz!
Tem que ser boa de cama, mesa e banho (li-te-ral-men-te)
Tem que estar aberta ao sexo tântrico, kamasutra e, claro BDSM
Tem que ter flexibilidade para as cordas e resistência para o chicote.
Tem que ser depilada, malhada e molhada
Tem que saber fazer massagem e chupar bem…(e dar o cuzinho também)
Tem que suportar a saudade sem arrependimentos, suportar a solidão sem se desesperar, suportar a ansiedade sem ser inconveniente
Tem que aceitar e acolher com gosto uma irmã de coleira, mesmo quando ela é uma cobra peçonhenta
Tem que ter força e coragem para fazer, desfazer, refazer, insistir, persistir, exigir… Sonhar, acreditar, realizar… E ainda, de quebra, exibir um sorriso com dentes branquinhos e perfeitos.

Moral da história:
Ei moço, Tem vaga aí pra Domme?
xxx

postado no blog "Em que posso servir?" da sub
manyukeh

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Para ser minha sub/escrava






O BDSM é parte vital e indispensável de minha vida.Por isso, faço questão de vivê-lo e praticá-lo com seriedade, ética e respeito ao SSC e a regras de convivência.

Não tolero: falsidade, mentira, dissimulação, fofoca, enfrentamento, falta de ética, desrespeito, infantilidade, traição, contestação gratuita.


Exijo: obediência, dedicação, humildade, sinceridade, fidelidade, vontade de aprender e evoluir, prazer em servir, amor e orgulho pela submissão e entrega, compromisso com a verdade.



A submissão é um ato sublime e a mulher que reconhece e assume essa condição, digna de respeito e admiração.Mas há a contrapartida: existem atos e atitudes que são incompatíveis com a verdadeira submissão, portanto, inadmissíveis na verdadeira submissa.Esse conceito pode variar de dominador para dominador, mas eu tenho posições bem definidas quanto a esse assunto, e aceita aquela que desejar e sentir que coaduna com seu pensamento e meta de uma relação D/s. Saibam que a submissão não é uma estrada cor de rosa, pontilhada só de alegrias e repleta apenas de prazeres.Há que se abrir mão de muitas coisas, mudar conceitos, adaptar e desenvolver novos comportamentos.Mas uma coisa é certa: um relacionamento D/s bem estruturado, com regras claras e baseado no respeito e na ética, é extremamente gratificante e prazeroso para ambas as partes, e essa é a essência do BDSM.

SeuDonoeSenhor

SDS

domingo, 4 de novembro de 2007

Verdades(s)

Não penses
que enganas
quando sorris
que trais
quando não olhas
que mentes
ao falar
que magoas
quando ignoras
que comoves
quando choras

A verdade é mais forte que tu
Não penses em nada



by betty

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.E então, pude relaxar.Hoje sei que isso tem nome…Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.Hoje sei que isso é…Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.Hoje chamo isso de… Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.Hoje sei que o nome disso é…
Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.Hoje sei que se chama…
Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.Hoje sei que isso é…
Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei menos vezes.Hoje descobri a…
Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é…
Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.Tudo isso é…
Saber viver!!!

Charles Chaplin

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Etiqueta pública para submissas

Teoria do serviço submisso

O princípio básico do serviço submisso em um ambiente público pode ser resumido em uma palavra: Atenção. Seu comportamento deve refletir sua atenção às necessidades e aos desejos do dominador o tempo todo. Seu papel é servir de acordo com essas necessidades e desejos.Seu dominador está preste a acender um cigarro? O copo de café do dominador está vazio ou o café esfriou? ele necessita de uma cadeira para sentar-se? Seu dominador tem necessidades especiais (desafios físicos, limitações dietéticas)? É seu trabalho assegurar-se de que o dominador esteja bem servido, confortável, fazendo tudo o que for preciso para tornar a vida dele mais fácil. Similarmente, é sua tarefa alegre demonstrar, com suas atitude e comportamento, que as necessidades do dominador vêm sempre em primeiro lugar. Sua habilidade de servir com devoção ao seu dominador é um padrão pelo qual outros julgarão a você e a Ele. Não somente sua atenção satisfará seu dominador, mas impressionará também àqueles que vocês encontram com ambas as coisas, com o poder de seu dominador sobre você,e com sua submissão. Ou seja, você será uma submissa de quem o dominador se orgulha de possuir e a quem outros acreditarão que vale a pena a posse. Algumas submissas confundem sua habilidade de receber e suportar uma surra pesada como prova de sua devoção. Certamente, pode ser um tipo altamente erótico de serviço para seu dominador o de resistir à dor pesada, mas, e sobre todos aqueles momentos em que seu dominador "não o está fazendo"? Você é tão boa escrava para ele durante os momentos tranqüilos quanto você é quando seu dominador está lhe proporcionando o que você deseja? As seguintes linhas de conduta ajudar-lhe-ão fazer saber ao seu dominador e a outros que o seu desejo de servir é sincero.


Regras de Etiqueta Pública SM


Chame um dominador pelo título escolhido por ele (por exemplo, mestre, senhor, etc..) Se você não souber qual é, PERGUNTE.

Não esbarre em um dominador, não fique demasiado perto dele, nem ofereça sua mão para cumprimentá-lo. Espere polidamente até que o dominador a cumprimente ou inicie um aperto de mão.

Você não necessita agir como um rato, mas é respeitoso abaixar periodicamente seus olhos em deferência ao dominador.

A única pessoa que tem o direito de lhe dar ordens é alguém a quem você cedeu consensualmente o controle. Se tal pessoa der uma ordem, a resposta apropriada é, "sim, senhor”.


Quando uma ordem é dada, faça o possível para cumpri-la imediatamente.

Se a ordem implicar em um limite, use sua palavra de segurança (se você tem uma), ou diga ao dominador que você está tendo um problema e necessita lhe falar.

Se um outro dominador tentar requisitá-la ou lhe dar ordens, a resposta apropriada é, "eu não tenho autorização para isso".

Qualquer um que tente pressioná-la a fazer algum serviço ou obedecer alguma ordem, e diz que isso é esperado de todas as submissas, deve ser evitado e ignorado.

Regra básica: se alguém for rude com você, você não tem nenhuma obrigação de ser polida com ele, mesmo que seja um dominador. Certamente ele não é uma boa pessoa.

Abra as portas para o dominador e espere até que ele passe completamente antes de segui-lo.


Tenha um isqueiro ou os fósforos acessíveis assim você pode acender um cigarro ou um charuto para o dominador.


Se o dominador fumar, esvazie discretamente o cinzeiro com certa freqüência.


Ofereça-se para buscar uma bebida para o seu dominador.

Mantenha um olho no copo da bebida do dominador e começar um encha-o sempre que estiver vazio.

Se ofereça para carregar casaco ou paletó para o dominador, bolsa ou pasta de equipamento, ou qualquer outro objeto incomodo.


Ao estar próxima do seu dominador, certifique-se de se manter atrás de seu cotovelo, de modo que o dominador esteja ligeiramente a sua frente. (nota: alguns dominadores podem requerer que você se ajoelhe na sua presença).


Não suponha que você pode pegar uma cadeira ao lado do seu dominador, a menos que ele já tenha discutido isso com você. Espere até que seu dominador lhe diga onde se sentar. Se o dominador não lhe der nenhuma instrução, pergunte polidamente onde ele quer que você fique.

Evite fazer pedidos com frases tais como "eu quero" ou "eu preciso”. Em vez disso, peça o privilégio começando com: "eu posso, por favor" ou "Mestre, posso ter a permissão...".


Se você estiver em um clube ou em uma festa, nunca permaneça afastada do seu dominador ou dê a impressão que você preferiria estar em outro local, mas sim, ao lado dele. Se algo excitante estiver acontecendo e você está morrendo de vontade de prestar atenção, ou se você vir pessoas às quais conhece, peça permissão para ir.


Não importa quanto atrativo um outro dominador pode ser, quando você está na companhia do seu dominador, controle a si própria e não flerte nem expresse de outra maneira interesse desobediente e desagradável em alguma outra pessoa. Mesmo se você não é ainda encoleirada ou possuída formalmente, se você desejar se tornar posse, reduzirá significativamente suas possibilidades agindo dessa forma.


Lembre-se sempre de dizer "obrigado" para cada privilégio que seu dominador lhe conceder. Por exemplo, se você receber permissão para fazer algo, não saia correndo como um animal recém libertado de uma gaiola. Dá a outros a impressão de que você não agüentava mais esperar para sair do lado de seu dominador.


Não discuta em público com seu dominador. Se você estiver verdadeiramente preocupada com algo que não pode esperar até que vocês cheguem em casa, peça a seu dominador permissão para discuti-la confidencialmente e fora do alcance da multidão.

traduzido do livro de Glória G Brame "Come Hither" (Buy the book)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Um Egoísmo Altruísta...







“Nem sempre é fácil... Quase nunca é fácil uma qualquer espécie de libertação, de exorcismo de uma qualquer coisa... Raramente é inócua a idéia de não ter um preço, qualquer que seja o motivo do ritual de liberdade... Geralmente é inconsciente e inocente, sem deixar marcas! Contigo voltou a ultrapassar tudo isso! Habituas-me a gostar de ser levada ao limite com o mesmo à-vontade com que me passeio à beira-mar numa tarde de Inverno. Sem destino e sem saber porque estou ali, mas certa que tenho de estar, desejando que não chova muito, mas que alguns pingos salpiquem a massa verde de água viva. Uma passeata aparentemente inconseqüente, mas que me dá animo e força de continuar a saber até onde a estrada vai. Desta vez voltou a ser assim... De novo um quarto de hotel. Novamente uma excitação com cheiro, no ar. Mais uma vez uma incerteza que coroava as causas... O desconhecido e o incerto – uma combinação explosiva. E assim foi sendo, entre os meus gemidos e os teus sorrisos. Eu a ser manuseada, explorada, humilhada, torturada numa espiral de desejos e vontades de um Dom que quer sempre mais. Ele a dedicar-se a ser a borboleta da teoria do Caos, a mudar a minha vida, a dar-lhe o picante que quebra a rotina monótona dos dias insípidos... A tornar-me noutra pessoa! Amarrou-me, falou-me ao ouvido a chamar-me puta e submissa, tocou-me onde lhe apeteceu, e sempre a fazer-me querer mais. Qualquer coisa muito perto de um milagre, num mundo de raciocínio, lógica e bom-senso... Pôs-me uma canga às costas, amarrou-me os pulsos e o pescoço a ela, deitou-me de barriga para cima na cama e atou-me as pernas muito abertas aos pés da cama. “Neste momento o teu corpo é meu!”
Uma verdade mais num momento de intensidade – uma inexpugnável realidade que me fez tremer por dentro, pertencer, ser a coisa dele.... Antes me tinha castigado – não lhe pedi autorização para me vir, prisioneira de uma excitação providencial por ele provocada. Aplicou-me uma pena pesada – vinte e cinco chibatadas! Mas o pior foi mandar-me contá-las de viva voz, lentamente, em cadência.... Péssimo foi agradecê-las... Terrível foi implorar a próxima e a outra e a outra, de pé, dobrada sobre mim, a oferecer-lhe o traseiro que ficava avermelhado de calor e de dor. Prazerosamente, sentia-lhe a satisfação em cada vergastada aplicada com zelo, com método, com vontade... É esse o momento da verdade – quando sentimos que damos prazer a quem nos tenta dar prazer. Um egoísmo altruísta, se isso existe! E as horas passaram sem se mostrarem, e os limites cediam a duas vontades expressas e tudo é normal porque há o acordo das partes e o objetivo de uma libertação anunciada. Mas nem sempre é assim. Comigo nem sempre foi assim! A entrega não é a da pele ou dos sentidos, a entrega é da vontade, em nome de uma verdade maior, mais vasta, mais enorme e gigantesca, uma onda. Depois o orgasmo vem de mansinho e coroa a realidade presencial, bate palmas ao prazer que sempre lá esteve, mas não tinha formas por onde se libertar! No fim, o cansaço e o fechar das cortinas e o descobrir de outra realidade, mais contida, mais limitada, mais socialmente correta. Ficaram os momentos, as horas, os olhos cheios de espanto e o prazer tatuado em vergões. E o desejo de voltar a ser livre... Um palpitar de energia que se chama prazer!”


ml Uma submissa realizada

O que é o amor?

“Neste momento, ergueu os olhos que conservava baixos para as papoulas e reparou que Sir Stephen fixava os seus lábios. Escutá-la-ia ou só estaria atento ao som da sua voz, ao movimento dos seus lábios? Calou-se bruscamente e o olhar de Sir Stephen subiu e cruzou o seu próprio olhar. O que leu nele desta vez era claro, e tão claro para ele o que ela tinha lido, que foi a sua vez de empalidecer. Se ele a amava, perdoá-la-ia por ter percebido? Ela não podia afastar os olhos, nem sorrir, nem falar. Se ele a amava, o que teria mudado? Poderia ser ameaçada de morte que permanecia igualmente incapaz de um gesto, incapaz de fugir, os joelhos não lhe teriam obedecido. Sem dúvida, ele não quereria nada mais do que submissão, ou o seu desejo, que, desde o dia em que René a entregara, bastava para explicar que ele a reclamasse e a retivesse cada vez mais, algumas vezes só pela presença, sem nada lhe pedir.(...) Sir Stephen começou por lembrar que, na primeira noite em que ela fora a sua casa, lhe dera uma ordem à qual não obedecera, e observou que, embora a houvesse esbofeteado, não renovara depois a ordem. Conceder-lhe-ia no futuro o que lhe tinha recusado? O compreendeu que era necessário não só aquiescer, mas que ele queria ouvir da sua boca, em termos apropriados, que sim, que ela se acariciaria todas as vezes que lhe pedisse. Ela disse-o, e tornou a ver o salão amarelo-cinza, a partida de René, a sua revolta da primeira noite, o fogo que brilhava entre os seus joelhos separados quando se deitara nua no tapete...”


"Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio"







Pense em alguém poderoso. Essa pessoa briga e grita como uma galinha ou olha em calmo silêncio, como um lobo? Lobos não gritam. Eles têm uma aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio. Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.O erro não dito é um silencioso acertoExatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos. Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe. Sorria. Silencie.Vá em frente.Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade. Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.Você pode escolher o silêncio.Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: "me arrependo de coisas que disse, mas jamais de meu silêncio".Durante os próximos sete dias, responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais. Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não ter que responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.


segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A Arte da submissão







“(...) O vencido tem de dar a entender ao animal mais forte que deixou de constituir uma ameaça e que não tenciona prosseguir a luta. Se o animal se bate até ficar muito ferido ou fisicamente exausto, o animal mais forte afastar-se-á, deixando-o em paz. Mas, se o vencido puder mostrar que aceita a derrota antes de a situação se tornar extremamente infeliz, poderá evitar que a punição vá mais longe. Isto consegue-se através de certas manifestações características de submissão, que apaziguam o atacante, lhe reduzem rapidamente a agressividade, e aceleram o ajuste da discórdia. Estas manifestações de submissão atuam de várias maneiras. Basicamente, ou extinguem os sinais que têm desencadeado a agressão, ou estimulam sinais não agressivos. A primeira categoria de sinais serve apenas para acalmar o animal dominante, enquanto a segunda contribui para mudar ativamente a sua disposição. A forma mais tosca de submissão é a inatividade completa. Como a agressão implica movimento violento, uma posição estática permite automaticamente a interrupção da agressividade. Isto se acompanha muitas vezes de encolhimento e agachamento. Como a agressão comporta expansão do corpo até atingir as dimensões máximas, o encolhimento produz exatamente o contrário e atua como sinal de apaziguamento. Outro gesto valioso é o virar de costas ao atacante, visto tratar-se da posição oposta ao ataque frontal. Há ainda várias outras formas opostas a ameaça. Se determinada espécie ameaça baixando a cabeça, neste caso a elevação da cabeça significa sinal de apaziguamento. Se o atacante eriça os pêlos, o baixar deste serve para manifestar submissão. Em alguns casos raros, o vencido aceitará a derrota expondo ao atacante uma área vulnerável. (...) A segunda categoria de sinais de apaziguamento atua como dispositivo de motivação. O subordinado emite sinais que estimulam respostas não agressivas e que, agindo no interior do atacante, suprimem o respectivo instinto lutador. Há três formas de o conseguir: 1) adoção da atitude juvenil de suplicar comida – os mais fracos agacham-se e suplicam ao dominante, assumindo a posição infantil característica de cada espécie(...) 2) o animal mais fraco adota uma posição sexual feminina – independentemente do sexo ou da disposição sexual, o vencido pode subitamente oferecer o traseiro, tal como as fêmeas fazem – na circunstância, o macho ou fêmea dominante cavalgará o macho ou a fêmea submissa, encenando uma pseudocópula 3) a terceira forma de remotivação implica estimulação de prestação mútua de serviços, tão comum no mundo animal(...) – passado pouco tempo, o dominante fica tão embalado com o jogo, que o mais fraco pode afastar-se são e salvo...”


In “O Macaco Nú” Desmond Morris (1967)

Dominação e submissão





(...)“Dominação e submissão, ou D/s, ou D&s, é a base subliminar de todos os jogos que fazemos. Quer as nossas atividades incluam role-play, bondage, disciplina, humilhação, chicoteamento ou seja o que for, os nossos jogos de BDSM implicam sempre uma pessoa controlando a outra. Normalmente adquire a forma de controle sexual, embora o sexo não tenha forçosamente que fazer parte dos nossos cenários. D/s é uma troca de poder entre parceiros, uma pessoa a submeter-se à vontade da outra. O apelo para o submisso é a liberdade de “se deixar levar”. Todas as pessoas se defrontam com impedimentos e bloqueios quando experimentam prazer. Para uma submissa, a maior parte desses obstáculos desaparece ao dar ao seu dominador o poder de controlar o que se passa em determinado cenário. O seu objetivo estreita-se e a submissa deixa de estar sozinha num universo hostil - a submissa sente-se ligada ao seu dominador. Não tem de se descobrir sozinha, ou preocupar-se com uma boa performance, ou sentir-se competindo. O seu dominador está no controle da situação – tudo será como ele quer que seja. A submissa não é responsável por nada mais além de fazer o que lhe é ordenado. É livre para se deixar levar até onde o seu Mestre, a sua mente e o seu corpo a levarem. A sua moral deixa de ser um obstáculo,está sob a influência da moral do seu dominador. As suas inibições desaparecem e descobre novos caminhos em si quanto a experimentar o prazer. Para ser capaz de “se deixar levar” completamente terá de confiar cegamente no seu Senhor. Ganhar essa confiança é um dos benefícios da relação D/s. Ser capaz de confiar tão completamente é um maravilhoso dom...”


“Screw The Roses, Send Me the Thorns – The Romance and Sexual Sorcery of Sadomasochism” Philip Miller / Molly Devon (1995) (Compre o livro)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A ÉTICA TORTURADA: SOBRE SADE

O que desejo, neste ensaio, é propor uma reflexão sobre a ética sadeana – ou, mais propriamente, sobre a crítica aos fundamentos da ética que o Marquês realizou em suas obras. Pretendo mostrar que há, em Sade, uma distinção fundamental entre duas éticas: de um lado, a que é apresentada em sua literatura; de outro, a que percebemos a partir de seus dados biográficos; e sustentar que a primeira é apenas uma das manifestações de tal reflexão _ mas que, longe de sustentar a ética de seus personagens, Sade os utilizava para representar um problema filosófico muito mais fundamental.

É verdade que é muito difícil, quando fala-se em Sade, saber de que Sade se fala. Quero dizer que, em seus livros, encontramos uma profusão de idéias em momento algum sistemática, e dificilmente passíveis de uma unificação; ainda que haja uma série de questões que atravessam uniformemente toda a obra e a biografia sadeana, pontos que poderíamos considerar como consistentes e indiscutíveis _ por exemplo, o materialismo de Sade, ou sua crítica à oposição entre virtudes e vícios _ , há outros nos quais tal uniformidade não se apresenta. E a ética, a meu ver, é um deles. Se analisarmos a ética que encontramos na maioria dos livros de Sade à luz de seus dados biográficos, percebemos que grande parte destes levanta problemas no tocante àquela. Nos livros de Sade encontramos assassinatos em nome do prazer, mas porque não sabemos de nenhum que ele tenha cometido _ e mesmo de sua reprovação relativamente à idéia de fazê-lo? Se observarmos os relatos que descrevem Sade como o monstro que a lenda criou, verificaremos que são, invariavelmente, fantasiosos e inverossímeis. É por isso que encontramos, na famosa descrição de La Bretonne, um Sade dissecador de corpos vivos, trabalhando em sua sala acompanhado de um corpo humano imerso em álcool; ou, na de Bury, um Sade entretido em queimar uma mulher viva.

É preciso, todavia, saber de que Sade se fala _ se daquele que encontramos nestas narrativas, ou daquele que percebemos em outros relatos, ou mesmo em suas próprias cartas. Observe-se, por exemplo, o caso de Rose Keller, ocorrido em 1768. Enquanto Rose _ certamente muito interessada na indenização que receberia caso o julgamento lhe fosse favorável _ recheou seu relato com violentas pauladas, facadas e queimaduras, Sade afirmou não ter usado mais que uma palmatória, e aplicado-lhe apenas "três ou quatro séries de chicotadas". E o depoimento do médico que examinou o corpo da mulher, por sua vez, assegurou que não havia nela nenhuma escoriação que ultrapassasse a epiderme, nenhum sinal de pauladas, e apenas marcas de pingos de cera que não poderiam ser caracterizados como queimaduras...

Mas esta não é a única evidência, e acredito que a mais forte esteja na chamada "grande carta", com sua célebre declaração:

"Sim, sou libertino, confesso; eu concebi tudo o que se pode conceber neste gênero, mas seguramente não fiz tudo o que concebi e certamente nunca farei. Sou um libertino, mas não sou nem um criminoso, nem um assassino."

Como poderíamos, portanto, afirmar que Sade realmente propõe a ética que encontramos em seus livros? Sade não só não fazia grande parte do que seus personagens defendiam, como também censurava as atitudes destes. Em 1780, condenou um carcereiro _ chamado por ele de "corno", "vilão" e "rabujento" _ precisamente por este encontrar prazer nos sofrimentos dos prisioneiros que maltratava; e em inúmeras ocasiões manifestou por sua esposa uma afeição que certamente jamais encontraríamos em seus personagens. Mas, sendo este o caso, como compreender que Sade tenha escrito tantos densos discursos filosóficos em suas obras, se não tencionava colocá-los em prática?

A resposta, a meu ver, pode ser encontrada na muito mais profunda questão filosófica dos fundamentos da ética. Longe de promover uma "anarquia do desejo", como frequentemente se afirma, penso que Sade tencionava apontar para um conflito fundamental, no homem, entre o desejo (ilimitado) e a norma (limitadora).

Ao contrário do que comumente se afirma, Sade não só sabe da existência deste conflito, como também sabe que, sem a norma, a própria idéia de uma sociedade que resguarde a liberdade _ que ele tanto defendeu _ torna-se impossível. No entanto, o que ele se recusa a fazer é escamotear esta oposição entre o desejo e a norma em nome de alguma saída "fácil". Isso é muito bem ilustrado pela contraposição que observamos entre a estrutura social do castelo dos libertinos dOs 120 Dias de Sodoma e aquela defendida por Zamé, da ilha de Tamoé; Sade toma cada um dos pratos daquela balança e estica a corda até seu máximo, levando cada um dos lados até as últimas consequências, e o resultado é gritante. A ilha de Tamoé - onde Zamé sequer coloca-se como governante, mas como "legislador e amigo", e onde a estrutura política tem como único objetivo a felicidade de seus habitantes -, em nome de uma igualdade absoluta de seus cidadãos, acaba simplesmente suprimindo totalmente o indivíduo. O caminho que leva até aquela igualdade, demonstrado por Zamé de forma extraordinariamente lúcida e filosófica, vai gradualmente tornando obrigatórias a educação e o trabalho em prol da sociedade, e assegura uma distrubuição de bens impecável; mas, por outro lado, proíbe a homossexualidade "em nome do Estado", filtra todos os canais de informação e introduz uma censura extremamente rígida no campo das artes. A supremacia do estado sobre o indivíduo chega a seu ápice com a obrigatoriedade de que todos os cidadãos usem as mesmas roupas e morem em casas idênticas.

Mas o outro prato da balança, aquele sobre o qual está o "puro desejo", não é mais promissor. A questão é que, sendo os desejos ilimitados, apenas deuses poderiam reinar num mundo onde apenas eles existissem - e é exatamente este o mundo que encontramos no castelo dOs 120 Dias. O Duque de Blangis, Durcet, Curval e o Bispo são os soberanos de um castelo isolado da sociedade, e são o panteão divino que reina absoluto sobre seus súditos - ou seja, aqueles que são carregados para dentro do castelo. Unidos por seus casamentos com as filhas uns dos outros, cada um deles tem quatro esposas; e, não havendo sobre eles nenhuma outra autoridade, determinam não só todas as leis e costumes dentro do castelo, como também controlam cada momento da vida de seus súditos, inclusive aquele de suas mortes. O saldo desta orgia divina encontramos ao fim do texto:

Massacrados antes de 1° de março, no curso das orgias: 10 Massacrados depois de 1° de março: 20 Sobreviventes que regressaram [a Paris] : 16

A lição sadeana, aqui , é bastante clara e idêntica àquela que mais tarde será declarada também por Dostoievski: Se Deus está morto, tudo é permitido.

Ora, o sustentáculo da lei é o direito divino: apenas um Deus - e, conseqüentemente, uma criação (seja esta voluntarista ou emanantista) - pode ser o fundamento de uma ética e de uma moral. Daí a aguda observação de Sade acerca da Revolução Francesa: guilhotinar o Rei, era, simultaneamente, destruir a garantia divina do direito. Morto o rei, é preciso arranjar alguma outra garantia de moralidade, que é preciso tomar como um pressuposto indiscutível. Ora, se eu não acredito em mandamentos revelados por algum Deus, por que eu não posso cometer um crime - por exemplo, sair e matar agora uma pessoa? Eis armado o beco sem saída: pode-se responder que isso seria afetar a liberdade de um outro, mas então - supondo que eu tenha uma definição do que é esta "liberdade" -, por quê eu tenho de respeitá-la? "Porque poderiam fazer o mesmo com você"; que seja, mas e se eu não vir nenhum problema nisso? (até porque dizer que "poderiam fazer" não quer dizer que alguém vá fazer). E esses são apenas uns poucos exemplos; qualquer um que comece a fazer perguntas desse tipo à ética encontrará uma infinidade de outras.

A posição filosófica de Sade, com relação à contraposição "lei-desejo", é a de não adotar uma saída fácil, e o que eu quero dizer com isso é que ele não admite um acordo entre ambos: a lei, para Sade, sempre consiste em um controle do desejo, que é... incontrolável! Mas, por outro lado, apenas as leis podem sustentar a sociedade, mesmo negando uma dimensão essencial do homem. E como resolve-se esta situação? A resposta sadeana é: não se resolve.

Sade era um libertino, não um criminoso. Ele mesmo precisa adequar o seu pensamento à sua vida _ excluindo, por exemplo, os assassinatos, tão comuns nas orgias se seus livros. Se o que adjetivamos de "sádico" é o que se enquadra na filosofia defendida pelos personagens de seus livros, não só Sade não era sádico como também a grande maioria dos sadomasoquistas não o é, já que, neste caso, o que é propriamente sádico não admite safewords nem qualquer tipo de limite; um sadeano legítimo provavelmente seria algo próximo a um Arthur Shawcross ou a um Marc Dutroux, incluindo aí todo o seu curriculum de sequestros, mortes, assassinatos, etc. Aqueles limites observados pelo próprio Sade - que não dormia com crianças e não matou ninguém, ao contrário de seus personagens - marcam a área da libertinagem. Deste modo, seguindo a terminologia que aqui estabelecemos, poderíamos afirmar que Sade foi um libertino, mas nunca foi um sádico.

Por outro lado, isso de modo algum pode desqualificar seu pensamento. Se destacamos devidamente sua obra literária na totalidade de seu pensamento, observamos que seus personagens não representam ideais de uma atitude a ser por nós adotada, mas representações de uma ameaça em potencial a todo ser humano: o risco da emergência de um desejo incontrolável. Os mais sádicos personagens sadeanos não matam por crueldade ou frieza, mas porque são totalmente dominados por esses desejos – que, em todas as suas facetas, não só habitam o espírito de cada ser humano, como podem a qualquer momento tomar o controle. Ora, quando isto acontece, a questão do limite sequer se coloca, simplesmente porque o desejo atua ali onde a razão já não está presente; e aqui não se trata de pessoas usando alucinógenos ou que estão voluntariamente em "estados mentais alterados", mas de pessoas "comuns" que, simplesmente, são subitamente arrebatadas por desejos que não podem controlar. São, por assim dizer, pessoas "normais", mas que acabam implodindo a própria "normalidade": são demasiado humanos, mas tão humanos que acabam se tranformando em "monstros humanos". E é por isso que, consoante Bataille, "para quem quiser ir ao fundo do que significa o homem, a leitura de Sade é não apenas recomendável, mas necessária". E é precisamente por isso que Sade foi transformado, pelas lendas, no maior de todos os demônios: caracterizado desta forma, como algo que pouco ou nada tem de humano, ele é mantido à distância; e podemos observá-lo como uma criatura que, entretida em queimar mulheres ou dissecar homens, nada tem em comum conosco. Esquecemo-nos, todavia, que foi destas mesmas lendas que seus contemporâneos serviram-se para condená-lo. Lembremo-nos de sua própria declaração: "Não foi o meu modo de pensar que causou a minha desgraça. Foi o modo de pensar dos outros."

Henrique Marques Samyn

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

domingo, 21 de outubro de 2007

O sentimento de posse nas submissas

Pra começo de conversa: “quem estiver livre de pecado, que atire a primeira pedra. Este não é, absolutamente”, um tema fácil de ser tratado. Qual submissa já não sentiu alguma vez uma sensação de abandono, ou de falta de atenção, ao pensar que o Dono não lhe dispensava tanto tempo quanto ela desejava? Isso aconteceu comigo, mas foi no início, quando eu não entendia nada, quando eu acreditava que o Dono era “meu”.

Às vezes confundimos as coisas. Pensamos que ter um Dono é ter direitos sobre ele, sobre sua vida, que, se não somos o centro de sua atenção é porque não nos quer, que não merece nossa entrega, que é injusto e então ficamos com raiva, e fazemos coisas impulsivamente e nos precipitamos em discussões que prejudicam a relação, e que, ás vezes, pode abrir precedentes.

É com muito esforço, lágrimas, horas de meditação, castigos, que se aprende que uma boa submissa não se avalia pelo fato dela agüentar duas, dez ou cem chicotadas, por gostar dessa ou daquela prática. Ela é avaliada por seu “saber se comportar”. Isso é infinitamente mais difícil, porque não implica agüentar a dor, mas polir o orgulho, saber e assumir o lugar que nos cabe no jogo, na relação. Estamos falando de submissão, não de simples masoquismo. Submissão significa acatar e obedecer o que te ordenam, é fazer o que te pedem.

Sei que muitas vezes uma submissa duvida. Pensa que o Dono não gosta dela. Fica com raiva ao ver que ele tem sua vida, conversa com outras submissas, passa o tempo fazendo o que bem entende, seja lendo, descansando ou vendo televisão. Esta não é uma relação convencional. O Dono nunca se “entregou” dessa maneira à submissa, a “entrega” do Dono é outra, é educá-la, adestrá-la, promover seu crescimento, ser duro com ela, mesmo que ás vezes lhe doa na alma.

Para uma submissa que exige atenção o tempo todo, o Dono lhe reserva o pior de todos os castigos: o silencio. Esse silencio no qual você se retorce porque não pode xingá-lo, porque não pode falar com ele, porque não pode lhe pedir perdão e dizer que será boa, que se comportará a partir de agora. O bom do longo silencio é que faz com você medite. Faz com que você pense e reavalie seus atos, que os amadureça. Dói também a ele, um Dono também de desfrutar de sua sub/escrava, mas nunca deve permitir que ela confunda os termos. É difícil para ambos, mas serve para fortalecer a relação. Para que a comunicação depois desse período de isolamento seja mais tranquila, mais centrada, mais receptiva.

Muitos Donos almejam uma “entrega de alma”. Um corpo para açoitar, isso é fácil de se conseguir. Mas uma alma que se rebela, que luta porque se vê quase presa, isso os fascina, e não a querem perder. Senão, por que esse Dono lhe dá uma segunda, uma terceira oportunidade? Porque sabe que é normal. Que não é tão fácil aceitar tudo, principalmente o mais difícil: o orgulho ferido. De qualquer forma, se o erro se repete reiteradas vezes, é sinal de que não existe muita predisposição para essa entrega. Por isso ele testa. Testa a paciência da escrava, essa outra grande virtude. Paciência e confiança. Acreditando-se nessas duas coisas, já se terá ganhado muito terreno.

E outra coisa importante: o ciúme. Por acaso temos direitos sobre o Dono? Devemos “proibir-lhe” que fale com outras submissas ou com outras mulheres, inclusive com outras submissas de sua propriedade? Quem somos nós para decidir isso? Está na natureza do homem o desejo de falar com outras mulheres. Não podemos argumentar teses feministas de fidelidade em uma relação D/s, nem tampouco tachar de machistas as submissas que a praticam. Eu nunca me considerei machista, pelo contrário, mas sei que nesse tipo de relação, as regras são diferentes. Eu me submeto, porque eu permito, eu cumpro ordens, porque eu permito. Sou livre para ir embora caso eu queira, ninguém me obrigou a isso, sabia das regras. Por isso não devemos misturar dois tipos diferentes de vida. O fato de eu aceitar certas coisas que lá fora podem surpreender e chocar, não faz de mim uma estúpida, eu tenho prazer com isso, portanto, faço por vontade própria.

Mas bem, devemos lembrar que cada submissa tem características distintas para o Dono, caso haja mais de uma. E mais, as disputas entre elas não são problemas do Dono, mas sim delas mesmas, já que se supõe que sejam maduras para entender-se.Os Donos e os homens em geral detestam disputas entre mulheres. Ao invés de chorar e se queixar, é melhor tomar uma atitude, sacar suas “armas”, e “seduzir” o Dono para que a use nesse dia, e não a outra. Não se pode jogar a toalha. O Dono te escolheu por algum motivo, pois use-o, seja você mesma, não se abandone, não se auto-destrua, já que não ganhará nada se fazendo de coitada, muito pelo contrário, você acabará sendo a antítese de si mesma. Os Donos desejam que nos cuidemos, que nos amemos, que estejamos dispostas e felizes e sejamos nós mesmas.

E bem, sei que não é fácil. Uma coisa é escrever, pensar, mas trazer para a prática requer sofrimento, cair e levantar-se, ponderar as coisas. Mas esse caminho não é fácil. E das adversidades alguém pode renascer e superar-se, e assim que escolhamos a ultima opção, se levantar e continuar o caminho.

Um abraço a todas as submissas e escravas, e não percamos a esperança, não nos rendamos.

(de uma submissa)

sábado, 20 de outubro de 2007

Fora, povo!










Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem-vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!

A pesquisa reforça uma tese que tenho há anos, segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.

Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.

Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.

Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…

Luís Fernando Veríssimo

fonte: Jornal “Zero Hora” nº 15350, 30/8/2007.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Humildade

Humilde:

De personalidade simples, não arrogante, não orgulhosa, que expressa ou oferece um espírito de deferência (respeito, aceitação, acatamento), de respeito ou de submissão; despretensiosa; que não apresenta sinais de orgulho, de agressividade.

Como é simples a palavra, verdadeiramente profundo é o presente da humildade. O ato de humildade, o fato de apresentar-se assim ao mundo é talvez, uma das coisas mais difíceis de se fazer, de se aceitar. No reino do D/s, estes preceitos tornam-se mesmo muito significativos. Há muitos que vêem somente os aspectos sexuais de uma relação D/s, mas isso não corresponde à verdade dentro dessa realidade. O Dominador e a submissa são uma equipe. Sua união é uma verdadeira parceria. Uma escolha de não-conflito entre indivíduos bem sucedidos. Alcançam esse objetivo com decisões ativas durante cada dia. Na sociedade de hoje, há uma ênfase forte na individualidade e na independência. O dinheiro transforma-se no objetivo, o indicador de sucesso. O que não há aqui é o que todos os seres humanos anseiam: um companheiro, um sócio verdadeiro. Se o homem e a mulher forem intransigentes e agressivos apontam lâminas uns contra os outros. Às vezes um Dominador determina que uma submissa aprenda a ter humildade. Geralmente isto ocorre quando a submissa demonstra atos continuados de orgulho, de auto-envolvimento, de desrespeito e de uma percepção tão elevada de si mesmas a um ponto em que suas ações desagradam ao Dominador e a outras pessoas que a rodeiam. A humildade é um presente que a submissa oferece ao seu Dominador, uma escolha para ceder a ele. O papel da submissa não é ter uma existência passiva de alguém de status diminuído, muito pelo contrário. Deve ser o presente de sustentação, para alegremente ajudar e engrandecer o seu Dominador, o aço na estrutura da relação. O Dominador, de sua parte, estima a força suave da submissa, compreende a dificuldade que ela tem para não responder com orgulho e agressividade, ele compreende que é muito mais difícil se ajoelhar do que ficar em pé, dar do que receber. Para ajudá-la, deve instruí-la sobre como ser humilde e graciosa, repassando a ela os conceitos esquecidos. Isto pode parecer em discordância com a sociedade atual, talvez sim. Contudo, se perguntarmos a uma submissa, ela dirá que não se sente diminuída oferecendo o presente de si mesma, de sua submissão a um Dominador digno. Há uma arte verdadeira em misturar a dualidade do ser a um estar glorioso. Em um sentido muito simples, um relacionamento não pode florescer se ambas as pessoas forem líderes. Se te pedirem para aprender a ser humilde, você deve olhar suas ações do ponto de vista dos outros. Você deve perguntar-se: "eu penso em mim mesma com ares de superioridade e imponho minha opinião aos outros? Eu sou demasiadamente orgulhosa, arrogante? Eu voluntariamente cedo para outros? Eu sou respeitosa? Eu sou muito agressiva, muito intransigente? Eu sou pretensiosa? É possível que seu Dominador acredite que um ou mais destes parâmetros sejam verdadeiros, que percebe a área que necessita sua atenção. Se ele pedisse a você para analisar isso internamente, para refletir, como você agiria? Seria agressiva e respondona? Apontaria os dedos da ofensa para outros oferecendo justificativas vazias para suas ações? Ou você atingiu e compreendeu essa serenidade tranquila que é a submissa verdadeira, você olhou dentro do espelho de seu coração e admitiu a verdade daquilo que seu Dominador viu? Você ajoelhou-se com humildade e arrependimento diante da natureza orgulhosa de suas respostas? Você implorou o perdão e agradeceu-o por seu interesse em você?

SeuDonoeSenhor

SDS

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Reflexão

"Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu".

LuísFernando Veríssimo

Pensamento

Muitas submissas tratam a servidão como a prima pobre dos seus desejos encolhidos na medida da sua própria falta de fervor.
Então quando tudo vira silencio e assusta as "alices" por retumbar no vazio elas dizem: "eu não brinco mais "

by yar anjo - na comunidade Gor São Paulo do Orkut

Pensamento

"Nós sempre destruímos aquilo que mais amamos em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os covardes destroem com um beijo,
os valentes, destroem com a espada".

(anônimo)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Diálogo do romance "A escrava Isaura"

O texto é uma passagem do romance de Bernardo Guimarães “A Escrava Isaura”.


-Perdão, senhor!... Exclamou Isaura aterrada e arrependida das palavras que lhe tinham escapado.

- E, entretanto, se te mostrasses mais branda comigo... Mas não, é muito me aviltar diante de uma escrava; que necessidade tenho eu de pedir aquilo que de direito me pertence? Lembra-te, escrava ingrata e rebelde, que em corpo e alma me pertences, a mim só, e a mais ninguém. És propriedade minha; um vaso, que tenho entre as minhas mãos e que posso usar dele ou despedaçá-lo a meu sabor,

- Pode despedaçá-lo, meu senhor; bem o sei; mas, por piedade, não queira usar dele para fins impuros e vergonhosos. A escrava também tem coração, e não é dado ao senhor querer governar os seus afetos.

- Afetos!... Quem fala aqui em afetos!!! Podes acaso dispor deles?...

- Não, por certo, meu senhor; o coração é livre; ninguém pode escravizá-lo, nem o próprio dono.

- Todo o teu ser é escravo; teu coração obedecerá, e se não cedes de bom grado, tenho por mim o direito e a força.